Conjunção: Entenda tudo o que é necessário

Conjunção é um assunto que causa muita dor de cabeça às pessoas que estão estudando português, pelo menos é o que percebi lendo vários e-mails e dúvidas. Muitos confundem a conjunção com a preposição e outros se confundem com a própria classificação das conjunções.

Para facilitar e ajudar, resolvi escrever um artigo que trate das conjunções de forma mais simples e descomplicada possível! Vamos à lição:

Guia rápido:

 

o-que-é-conjunçãoO que é conjunção?

É uma classe de palavras invariáveis que conecta termos de mesma função sintática ou conecta orações entre si.  É ferramenta de coesão textual e permite o encadeamento de ideias, facilita a comunicação e reduz o volume de conteúdo.

Vamos entender como funciona:

Conectando termos semelhantes:

Exemplo: Português e matemática fazem parte da grade curricular.

Neste exemplo “e” é uma conjunção que liga dois termos que exercem a mesma função sintática. Tanto “português” quanto “matemática” são sujeito, que conectados pelo “e” são reconhecidos como sujeito composto da oração.

Conectando orações:

Exemplo: Bruna foi ao shopping. Ela queria comprar blusas.

As duas orações acima são sentenças completas e independentes entre si, mas trazem informações comuns de um único contexto. É possível simplificar e dar mais fluidez a essa estrutura adicionando uma conjunção, veja esse exemplo:

Exemplo: Bruna foi ao shopping a fim de comprar uma blusa.

Neste outro exemplo, utilizou-se de uma conjunção para ligar as duas orações. Note que a conjunção traz suavidade e fluidez por substituir a quebra brusca causada pelo uso do ponto final no exemplo anterior.

Uma das dúvidas mais frequentes que recebo é sobre os tipos de conjunções e suas subdivisões. Poder parecer difícil, mas não é e vou mostrar e explicar tudo a você com simplicidade, vamos lá:

tipos-de-conjunçõesTipos de conjunções:

Existem dois tipos de conjunções: coordenativas e subordinativas.

As conjunções coordenativas – ou coordenadas – são aquelas que ligam duas orações, ou termos da oração que sejam sintaticamente independentes.

Exemplo: Bruna foi à loja e comprou a blusa.

O ”e” é conjunção coordenativa por ligar duas orações sintaticamente independentes, ou seja, essas orações não dependem uma da outra para existir e fazer sentido.

Já as conjunções subordinativas – ou subordinadas – são aquelas que ligam orações sintaticamente dependentes. Significa que uma separada da outra não possuem sentido completo.

Exemplo: Quero que tudo dê certo.

Perceba que o verbo ‘‘ querer ” sozinho não tem sentido completo – quem quer, quer algo – por isso precisa ter seu sentido inteirado, neste caso, pela oração seguinte “que tudo dê certo”.

Tanto as conjunções coordenativas como as subordinativas contém suas subdivisões e vou apresentá-las a você de forma fácil e bem explicada.

As conjunções coordenativas:

São cinco as conjunções coordenativas:

1. Aditivas: são aquelas conjunções que expressam soma, adição.

E, nem, não só, também, mas ainda, mas também, etc…

Exemplo: Ela fala inglês e francês.

2. Adversativas: são conjunções que expressam contrariedade, oposição.

Mas, porém, todavia, e, contudo, entretanto, etc…

Exemplo: Ela levou dinheiro, mas preferiu não gastar.

Importante: se você prestou atenção nestas conjunções apresentadas, então deve ter percebido que o “e” e o “mas” alternam entre as duas classificações. Entenda melhor como ocorre:

Exemplo: Ela sempre planeja uma coisa, e (mas) faz outra.

Exemplo: Fizeram bolo para o café, mas também há pães.

No primeiro exemplo “e” conecta duas ideias antagônicas e por isso é classificado como uma conjunção coordenada adversativa. Enquanto que no segundo exemplo, “mas também” liga duas informações que não se contrapõem, na verdade, se somam.

Importante: o “mas” só é classificado como conjunção coordenada aditiva se formar uma locução conjuntiva com “também” ou “ainda”. Desacompanhada, a conjunção “mas” tem caráter exclusivamente adversativo.

3. Alternativas: são conjunções que expressam alternância.

Ou, ou…ou, já…já, ora…ora, quer…quer…, seja…seja.

Exemplo: Ou ele é muito esperto, ou muito burro.

4. Conclusivas: são conjunções que expressam conclusão.

Logo, portanto, por isso, por conseguinte, pois (depois do verbo).

Exemplo: Eu não estava lá, portanto não sei o que aconteceu.

5. Explicativas: são conjunções que expressam explicações.

Que, porque, porquanto, pois (antes do verbo).

Exemplo: Eu não fui à festa, porque estava doente.

 

As conjunções subordinativas:

Existem dez tipos de conjunções subordinativas:

1. Causais: são aquelas que denotam motivo.

Porque, porquanto, visto que, já que, uma vez que, como (no início da oração).

Exemplo: Emagreci porque pratico exercícios físicos.

2. Concessivas: são aquelas que admitem um fato contrário à oração anterior.

Embora, ainda que, se bem que, posto que, conquanto, apesar de que, por mais que, por pior que, etc.

Exemplo: Engordei, apesar de estar fazendo dieta.

3. Condicionais: são aquelas que indicam uma hipótese ou condição.

Se, caso, contanto que, sem que (= se não), desde que (com verbo no subjuntivo), a menos que, a não ser que (= se não), etc.

Exemplo: Se chover, ninguém sairá de casa.

4. Conformativas: são aquelas que expressam conformidade com o pensamento da oração principal.

Conforme, consoante, segundo, como, etc.

Exemplo: Fiz aquele relatório conforme o chefe me pediu.

5. Comparativas: trazem a comparação entre duas ideias.

Que, do que, (após mais, menos, maior, menor, etc.), qual e como (após tal), como e quanto (após tanto), como, etc.

Exemplo: Não há nada como os velhos tempos.

6. Consecutivas: apresentam uma relação de consequência entre as orações.

Que ( após os advérbios tão, tal, tanto, tamanho, etc.), de sorte que, de modo que, de maneira que, de forma que, etc.

Exemplo: Ela não trouxe a chave de modo que não poderemos entrar em casa.

Proporcionais: indicam proporcionalidade entre duas ideias simultâneas.

À medida que, ao passo que, à proporção que, quanto mais…(tanto mais), quanto mais….(tanto menos), quanto menos…(tanto maior), etc.

Exemplo: Quanto mais se escuta, mais se aprende.

7. Temporais: apresentam circunstância de tempo.

Quando, logo que, depois que, antes que, enquanto, assim que, mal, etc.

Exemplo: Passarei seu recado assim que chegar em casa.

8. Proporcionais: indicam proporcionalidade entre duas ideias simultâneas.

À medida que, ao passo que, à proporção que, quanto mais…(tanto mais), quanto mais….(tanto menos), quanto menos…(tanto maior), etc.

Exemplo: Quanto mais se escuta, mais se aprende.

9. Finais: indicam uma finalidade.

Para que, a fim de que, que (= para que), etc.

Exemplo: Enviei mensagem a fim de que você não se esquecesse do que foi combinado.

10. Integrantes: inserem orações que desempenham funções sintáticas como sujeito, ou objeto direto, ou objeto indireto, ou predicativo, ou complemento nominal ou como aposto de outra oração. São elas: “que” e “se”.

Exemplo: Eu não sei se você está sendo honesto.

Note que a conjunção “se” introduz a oração “se você está sendo honesto”, que desempenha função de objeto direto da oração principal “Eu não sei”.

Resumindo…

Nesta lição, vimos que as conjunções são uma classe de palavras da morfologia, e que funcionam como conectivos entre orações ou termos semelhantes contribuindo para a coesão textual. Elas são divididas em coordenativas e subordinativas que se subdividem em 5 e 10 classificações internas respectivamente.

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