Novo Acordo Ortográfico: Acentuação

O Novo Acordo Ortográfico, ou reforma ortográfica, trouxe diversas mudanças nas regras do português, em especial nas regras de acentuação.

O que você precisa saber sobre a acentuação

Infelizmente, essas novas regras vêm causando um nó na cabeça dos usuários da língua portuguesa, principalmente aqueles que aprenderam a ler e escrever com as regras antigas. E foi exatamente por isso que resolvi escrever esse artigo: para ajudar as pessoas que estão com dificuldades de assimilar essas novas regras.

Para isso, irei demonstrar aqui, detalhadamente, o que mudou nas regras de acentuação, assim você poderá acabar de um fez por todas com as dúvidas sobre as novas regras trazidas pelo Novo Acordo Ortográfico. Vamos lá?

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1. Ditongos abertos em paroxítonas

A primeira mudança significativa das regras de acentuação diz respeito a não acentuação dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (palavras em que a sílaba mais forte é a penúltima).

Ou seja, as palavras paroxítonas com ditongos abertos como “alcalóide”, “bóia” e “colméia” passam a serem escritas sem acento, ou seja alcaloide, boia e colmeia.

Mas atenção! Essa regra só vale para as palavras paroxítonas, ou seja, as oxítonas que terminam em éis, éu, éus, ói e óis continuam sendo acentuadas! Exemplo: herói, troféu, troféus, papéis.

Veja abaixo outras paroxítonas com ditongos abertos que perderam seus acentos:

  • alcatéia  →   alcateia
  • andróide  → androide
  • apóia  →  apoia
  • apóio (verbo apoiar) →  apoio
  • asteróide  →  asteroide
  • Coréia  →  Coreia
  • estréia  →  estreia
  • geléia  →  geleia
  • ideia  →  ideia
  • jóia  →  joia
  • paranóia  →  paranoia

 

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2. Paroxítonas acentuadas depois de ditongo

Nos casos de palavras paroxítonas como “feiúra”, onde a sílaba tônica era um u ou i acentuado após um ditongo (no caso “ei”) não são mais acentuadas.

Então de você ver uma paroxítona com sílaba tônica no “i” ou “u” depois de ditongo (formando um hiato na separação das sílabas), não se preocupe em olhar a terminação para ver se teria acento ou não, pois ela nunca será acentuada.

Mas atenção! Se a palavra for oxítona e o i ou u estiverem na posição final (ou seguido de “s”), o acento permanece. Exemplo: tuiuiú, tuiuiús, Piauí.

Veja abaixo outras paroxítonas com acento no “i” ou “u” depois de ditongo que perderam seus acentos:

  • baiúca  →  baiuca
  • bocaiúva  →  bocaiuva
  • cauíla  →  cauila

 

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3. Palavras terminadas em “eem” e “oo(s)”

Com o Novo Acordo Ortográfico, palavras como “vôo” ou “lêem”,  terminadas com eem ou oo(s), deixam de ser acentuadas, ou sejam, não recebem mais o acento circunflexo que as acompanhavam. Exemplo: voo, leem.

Veja abaixo outras palavras terminadas em eem e oo(s) que perderam o acento:

  • abençôo  →  abençoo
  • crêem (verbo crer)  →  creem
  • dôo (verbo doar)  →  doo
  • enjôo  →  enjoo
  • perdôo (verbo perdoar)  →  perdoo
  • vêem (verbo ver)  →  veem

 

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4. Acento diferencial

Após a reforma ortográfica, uma parte dos acentos diferenciais deixou de existir. Não existem um real porquê deles terem sido retirados, ou seja, é na base da decoreba mesmo. Então resolvi fazer aqui uma recapitulação para que você nunca mais se esqueça de quando deve ou não usá-los.

Palavras que não possuem mais acento diferencial:

  • pára (do verbo parar) e para (preposição),
  • péla (do verbo pelar) e pela (por + a),
  • pólo (substantivo) e polo (contração fora de uso de por + lo),
  • pélo (do verbo pelar) e pêlo (substantivo sinônimo de cabelo),
  • pêra (fruta) e pera (preposição fora de uso).

 

Palavras que mantêm o acento diferencial:

  • pôr (verbo) e por (preposição),
  • pôde (verbo no passado) e pode (verbo no presente),
  • têm (verbo no plural) e tem (verbo no singular),
  • vêm (verbo no plural) e vem (verbo no singular),
  • mantêm (verbo no plural) e mantém (verbo no singular),
  • convêm (verbo no plural) e convém (verbo no singular),
  • detêm (verbo no plural) e detém (verbo no singular),
  • intervêm (verbo no plural) e intervém (verbo no singular).

 

Acento opcional:

Apenas uma palavra teve seu acento diferencial classificado como opcional: o que diferencia a palavra forma (de formato) da palavra fôrma (fôrma de bolo).

Ou seja, seu uso não é necessário, mas é recomendável quando as duas palavras estiverem na mesma frase. Exemplo: A forma da fôrma do bolo era redonda.

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5. Presente do indicativo

Essa é uma das regras novas mais esquisitas. Não se usa mais o acento agudo no “u” tônico das conjugações dos verbos arguir e redarguir no presente do indicativo.

Exemplo: tu arguis (pronuncia-se “argúis”), ele argui (pronuncia-se “argúi”), eles arguem (pronuncia-se “argúem”).

E sim, é só isso.

 

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6. Pronúncia diferenciada

Nesse caso o uso ou não do acento irá depender da forma como você (sim, você) pronuncia um verbo.

Nos verbos terminados em “guar”, “quar” e “quir” (como enxaguar, delinquir), o uso ou não do acento em algumas de suas formas do presente do indicativo, presente do subjuntivo e do imperativo depende da forma como se pronuncia a palavra.

Palavras pronunciadas com “a” ou “i” tônicos devem ser acentuadas. Exemplo:

  • Verbo enxaguar: (eu) enxáguo, (tu) enxáguas, (ele) enxágua, (eles) enxáguam, etc.
  • Verbo delinquir: (eu) delínquo, (tu) delínques, (ele) delínque, (eles) delínquem, etc.

 

Palavras pronunciadas com o “u” tônico não são acentuadas. Exemplo:

  • Verbo enxaguar: enxaguo (pronunciada como enxagúo), enxaguas (pronunciada como enxagúas), enxagua (pronunciada como enxagúa), etc.
  • Verbo delinquir: delinquo (pronunciada como delinqúo), delinques (pronunciada como delinqúes), delinque (pronunciada como delinqúe), etc.

 

Atenção! No Brasil a pronúncia mais comum é a primeira, com “a”e “i” tônicos, então as palavras em questão são acentuadas.


 

Bem, essa foram as regras de acentuação acrescentadas e/ou modificadas pelo Novo Acordo Ortográfico. Para mais informações sobre outras mudanças trazidas pela reforma ortográfica, visite os artigos abaixo:

Novo Acordo Ortográfico – O Que Mudou?

Novo Acordo Ortográfico – Hífen


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Luiz Felipe Cristofari
felipe@xun.com.br

Fundador do projeto Português Prático que visa demonstrar como o português pode ser mais simples do que é pregado nas escolas e cursos por todo o Brasil.

  • Simony de Carvalho

    muito bom gostei,obrigada

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